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Aspectos Psicológicos De Diabetes Mellitus

Qualidade de Vida e Diabetes

Na avaliação da qualidade de vida de pessoas que apresentam uma doença. Arrais (2003) enfatiza que o elemento central é a saúde das pessoas, ou seja, o que se avalia é em que medida os diversos domínios são influenciados pela característica da doença que afeta a pessoa. A qualidade da vida nesta perspectiva, segundo o autor, é freqüentemente denominada qualidade de vida relacionada com a saúde, sendo suscetível de ser confundida com "estado de saúde", e por esse motivo, ao avaliar qualidade de vida devemos estar atentos.

 

 

Sureshkumar (2002) esclarece que a definição de doenças crônicas  não é única, mas de um modo geral aceita-se que são doenças sem cura, ou de tratamento muito prolongado que impõem a pessoa enferma mudanças  importantes no estilo de vida, de maneira que ele possa conviver diariamente com a doença. Ressalta ainda o autor que se esse novo estilo de vida proposto não for adotado, ou se não houver uma aceitação dessa doença, a qualidade de vida dessa pessoa pode tornar-se bastante limitado, o que pode contribuir para uma má evolução do caso.

Kovacs (2002) adverte que se tratando especificamente do paciente portador de diabetes tipo 1, torna-se quase impossível separar os aspectos psicológicos e psicossociais dos aspectos clínicos envolvidos. Segundo Arrais e col. (2003), o diabetes interfere diretamente nos fatores nutricionais e hormonais e indiretamente nos psicossociais. Segundo o autor, com uma freqüência maior a da população em geral, os pacientes diabéticos apresentam descontrole emocionais sinais de irritabilidade e instabilidade afetiva. Tais situações parecem ser relacionadas às neuroses impostas pelo tratamento continuado que requer a doença, sendo o grau de comprometimento psicológico dependente da idade, do sexo e da vivência pessoal prévia.

Kaplan (1996) acrescenta que outro aspecto que influencia a saúde emocional dos diabéticos diz respeito à sua autoimagem. Ressalta ainda que a autoimagem, geralmente, encontra-se comprometida em função do convívio com a doença. Segundo Joseph (2003) este aspecto se agrava na medida em que os pacientes são submetidos a procedimentos mutilantes em função das complicações vasculares que aparecem com o passar dos anos. Joseph acredita ainda que esta insatisfação com sua autoimagem possa gerar baixa autoestima e estar relacionada com depressão e insegurança.

A medicina sozinha não consegue dar conta de ajudar no controle da doença para que não haja complicações, pois além de exames e medicamentos, é necessário dieta, exercícios físicos e um equilíbrio emocional, visto que estes aspectos influem diretamente sobre a doença, descontrolando-a e gravando o quadro. Segundo Geed (2000) não basta ter consciência da doença e suas repercussões, pois a doença física atinge diretamente o emocional e este não é determinado apenas por aspectos conscientes. O emocional é constituído, por aspectos mais profundos internamente e

inconscientes, que podem impedir um bom controle da doença se esta não for internamente aceita. Geed acredita que o diabetes será enfrentado diferentemente por cada pessoa, pois dependerá da estrutura psíquica ou organização mental de cada um.

Segundo Ferraz et al. (2000), o atendimento multiprofissional em diabetes mellitus requer a abordagem psicológica, uma vez que a integridade biopsicossocial do paciente é condição decisiva para favorecer os cuidados com a doença, de modo a assegurar uma melhor qualidade de vida e bem estar psicológico.

Graça (2002) diz que a preocupação básica do serviço de psicologia é buscar o aprioramento da qualidade de vida dos pacientes. Ressalta que compete ao psicólogo possibilitar ao paciente, interagir com objetos internos e externos, atuando com um facilitador das dificuldades e das necessidades psicológicas e emocionais do paciente.

Mudança de Comportamento

Naton (2002) esclarece que viver com diabetes mellitus requer uma vida inteira de comportamentos especiais de autocuidado. Prestar assistência a essa pessoa deve ir além de ajudá-la a controlar os sintomas, a viver com incapacidade e adaptar-se às mudanças sociais e psicólogas decorrentes da doença. É preciso ter com ela uma abordagem compreensiva que leve em conta a complexidade, a multiplicidade e a diversidade da doença crônica. Acrescenta o autor que, por esses motivos dar liberdade ao paciente ou do cuidador, para fazer opções no autocontrole é condição essencial para mudança efetiva de comportamento. Assim, diz o teórico, é uma forma de reconhecer o direito e a responsabilidade do paciente no tratamento e valorizar o seu papel na tomada de decisões.

Segundo Fox (2004) mudanças de comportamento tão significativas quanto as que se esperam do paciente diabético, não pode ser imposta e somente se fazem ao longo do tempo, com a compreensão da necessidade de mudanças. Sensibilizar os diabéticos para compreender essa necessidade de alterações pessoais no estilo de vida é papel fundamental dos profissionais envolvidos com o tratamento do diabetes.

Ressalta Fox que considerar e aceitar pequenos progressos, dando reforço positivo aos comportamentos de autocuidado realizados, ao invés de focalizar somente os que foram negligenciados, são atitudes que se deve desenvolver para ajudar nas adaptações desejadas do estilo de vida. Por estes motivos, esclarece o autor, que adotar uma postura de decidir junto com o pacientes, quais medidas são mais pertinentes e possíveis de execução, por medo de um processo colaborativo e não essencialmente prescritivo, encoraja-os a assumirem a responsabilidade de seu próprio controle e acredita-se, que somente assim as mudanças possam se concretizar.

O trabalho psicológico com a pessoa diabética pode realizar-se individualmente ou em grupo, ambos tem como objetivo a elaboração e aceitação da doença para obtenção de uma melhor qualidade de vida.

Referencia Bibliográfica

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- Kovacs, MJ. Morte e desenvolvimento humano. Casa do psicólogo, 2002.

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